Onde você está agora é o melhor lugar

Já vou começar esse texto sem novidades e com frase de efeito.

A gente nunca está satisfeito com o que temos. Sempre queremos mais. A grama do vizinho é sempre mais verde. A nossa possível grama parece sempre melhor do que a que já temos. Sempre dá pra melhorar.

Será que dá?

Outra frase clichê, mas que é a verdade em situações como essa: a melhora existe, dentro de nós mesmos.

Calma, vou contextualizar todos esses sentimentos.

Desde que me mudei pra Lisboa eu sentia que “não amaaaaava aqui”. Sempre sentia essa vontadezinha de morar em outro lugar, saudade grande do Brasil, óbvio. Mas meio que uma inquietude de ir pro próximo lugar porque aqui “não era nada demais”. A gente adora achar problemas, né?

E realmente, Lisboa não foi uma cidade que eu cheguei já sentindo algo super especial, não me dei bem logo de cara, foi um caminho longo até eu de fato me sentir estável e em casa, mas acredito que muito mais pelo que eu estava lidando internamente, emocionalmente e psicologicamente do que pela cidade e oportunidades em si, que eu também não tenho do que reclamar.

Só depois que eu fui visitar o Brasil e acabei passando 6 meses lá por conta da pandemia que eu entendi o quanto gostava daqui de Portugal.

Quando a gente perde, dá valor. Eu saí dessa terra tranquila, segura, sem tanto estresse pra passar um tempo em São Paulo e quase enlouqueci. Mentira, tô exagerando, mas eu senti muita falta daqui.

Além de outro fato muito importante: aqui eu tenho o meu espaço, a minha casa. Lá, eu fiquei com a minha família. Que eu amo e me dou super bem, em uma casa mil vezes melhor do que a que eu moro aqui, mas que “não é a minha casa”, com as minhas coisas, a minha rotina, a minha organização.

Quando fui ao Porto a primeira vez eu me apaixonei, achei a energia da cidade mais entusiasmante e jovem do que Lisboa, pensei “nossa, eu moraria no Porto”. Agora, depois de anos, meu namorado vive no Porto e eu acabo passando muito tempo “vivendo” lá. E agora eu tenho ainda mais certeza do quanto prefiro Lisboa.

Mas já estou aprendendo a dar valor pra essa terrinha que eu chamo de casa. E não só pra cidade em si, mas até pra minha própria casa.

Moro em um apartamento que, de uns tempos pra cá, tem me cansado. Algumas coisas já não atendem mais às minhas expectativas e eu ando sentindo muita vontade de me mudar, já sinto essa inquietude voltando.

Mas são muitos fatores a se pensar, muito planejamento até de fato se mudar pra algum lugar que valha a pena. Porque achar problema é fácil, mas achar uma solução, ou ainda algo melhor, é difícil.

A gente tem essa mania, né… De se sentir insatisfeito com o que temos no momento, sem perceber que o que temos pode ser realmente o melhor. Não só de agora, mas até daqui um bom tempo. Pra sempre eu não digo porque já aprendi que é impossível fazer planos nesse mundo louco. A gente nunca sabe o que vai acontecer amanhã ou ano que vem.

Eu não digo que vou morar aqui pra sempre, eu realmente acredito que não vou, mas quem sabe?

O importante é eu focar no que o momento de agora me proporciona de bom, no que o lugar onde eu moro me traz de positivo. Focar no melhor ao invés de ficar caçando picuinha quando está tudo bem.


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