Sobre viajar, não parar um segundo e ansiedade

Eu acho que preciso mudar a forma como viajo, porque o que deveria ser um momento para relaxar, acaba sendo motivo de ansiedade master. Daquelas que o olho treme involuntariamente por dias. Antes e às vezes durante a viagem.

Que a ansiedade está dentro de nós e não temos controle sobre ela é óbvio. Queria eu ter esse controle. Voluntariamente eu penso: “sara, tá tudo bem, vc está em um paraíso conhecendo coisas novas, para de ser besta.” Mas aí vêm os medos. O medo de algo dar errado mesmo eu fazendo tudo certo. O medo de não conseguir dormir direito no hostel e ficar estressada. O medo de roubarem algo. O medo da companhia aérea não deixar minha mala passar por estar imensa. O medo de estar gastando muito e depois não ter trabalho (o maior medo talvez). Isso que dá querer ser trabalhadora independente e fazer o que ama mas também querer sair pelo mundo.

Eu sou inquieta. Não consigo simplesmente ir para uma cidade e ficar lá relaxando, preciso tentar ver tudo humanamente possível. E isso me deixa ansiosa.

Ontem queria ter feito um passeio mas deixei pra última hora e não tinha mais, já me senti culpada. Geralmente eu planejo tudo, mas a minha vida estava tão corrida que não planejei nada.

Fico pulando de cidade em cidade de um a dois dias, preciso arrumar a mala toda hora, fazer tudo caber nela, carregar o peso com barraca, colchão, roupas etc porque vim direto de um festival e o peso está grande. Me estresso, me canso.

Penso: vou só ficar de boa, vai. Mas já estou aqui, preciso fazer tudo. Preciso ver tudo.

Me sinto até idiota de estar “reclamando viajando”, mas estou fazendo uma observação apenas. Me observando, me entendendo. Compreendendo o que me faz bem e o que não faz.

Ano passado fiz a minha primeira viagem sozinha, fiquei com o olho tremendo por dias antes da viagem e nos dois primeiros dias. Só relaxei depois que vi que as coisas estavam fluindo. Essa é a minha segunda viagem sozinha mas esse momento de relaxar ainda não chegou. E talvez nem seja por conta da viagem em si, mas porque estou cansada. E preocupada com 500 coisas ao mesmo tempo.

Ps: meu sonho era ser “mochileira”, hoje só tenho a certeza que nunca conseguiria. A capricorniana gosta de estabilidade.

Esse ano, felizmente, fiz muitas viagens. Festivais e planos pré pandemia se misturaram com novos planos e ficou tudo muita coisa. Emendei uma viagem na outra com uma mudança de casa no meio e não tive um só dia de descanso. Entre gastos absurdos e não planejados comprando cama e pratos, ainda têm as viagens.

É preciso se respeitar. Respeitar o nosso corpo e entender o que a nossa mente precisa. Às vezes ela só precisa que eu fique deitada na cama olhando pro teto ou pra TV enquanto passa um filme do Adam Sandler, e não pensando que horas preciso acordar, pra arrumar a mala sem incomodar as pessoas do hostel (porque sou dessas), quanto tempo demora com as malas nas costas até a rodoviária, o que vou comprar no mercado pra comer ou se procuro um restaurante barato, quando vou parar pra fazer meu freela, se as pessoas vão marcar tatuagem esse mês, quanto já gastei na viagem (chorando).

É, eu não vejo a hora de estar na cama, sem fazer nada. Nadica de nada. Só marcando tatuagens e trabalhando normalmente.

Eu amo estar viajando, ter a oportunidade de fazer isso, me convenço que gastos com viagens e experiências sempre valem a pena (quando minimamente planejados), sou tão grata a tudo e todos que me permitiram poder fazer isso e estar sentindo essa ansiedade, estar pensando sobre o que me faz bem e como eu deveria planejar minhas viagens daqui pra frente, tudo isso só me faz dar mais valor ainda aos momentos de não ter nada pra fazer.

Eu estou simplesmente esperando para ficar meses sem sair de casa, sem ter que fazer mala. No último ano eu perdi a conta de quantas vezes fiz as malas. Seja pra mudar de país, pra viajar, pra visitar o namorado que mora em outra cidade. Eu só quero ficar em casa e estou completamente feliz (e ansiosa) com isso.

Como eu sabia que estaria indo de lá pra cá, trouxe o mínimo de coisas possíveis e com tantos pensamentos aqui dentro estava sentindo falta de escrever, queria meu diário. Precisava desabafar, colocar pra fora tudo o que vim sentindo. E que bom que posso fazer isso aqui.

Que bom que pude colocar tudo isso em palavras. Esse ano está sendo uma loucura, está louco e maravilhoso. Tenho certeza que daqui um mês eu nem vou lembrar dessa ansiedade e medos todos, somente dos lugares incríveis que conheci. mas também vou lembrar destes aprendizados, de me respeitar.

De ir devagar. Devagar e sempre. A gente não precisa ter pressa pra fazer tudo a todo momento. O tempo passa rápido mas não tão rápido. A sua saúde mental é mais importante que tudo.

Com certeza tem muita gente que vive assim, sem saber o dia de amanhã e é isso que os move. Eu sou o contrário, preciso saber o dia de amanhã e do mês inteiro. E tá tudo bem. Só preciso lembrar disso de vez em quando.


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