Meu primeiro Boom Festival

Aqui eu fiz uma lista do que levar para um festival!

Eu digo “primeiro” porque com certeza terão outros.

Vamos lá, pra quem não sabe, o Boom é um festival que acontece de 2 em 2 anos em Idanha-a-Nova, no nordeste de Portugal. É sempre no final de Julho ou início de Agosto, durante a lua cheia, no alto verão europeu. O festival acontece no meio do deserto, praticamente. Na verdade, é um oásis, porque tem um lago bem no meio do festival, o que facilita e muito a vivência lá. Mas o clima é muito, mas muito seco, tem muita poeira e é bem quente, é preciso tomar cuidado pra não ficar desidratado. Catotas pretas e duras é rotina.

IMG_4628O Boom já rola há 20 anos, desde 1997. Em 2004, eles começaram a desenvolver projetos para se tornarem totalmente auto-sustentáveis, como o desenvolvimento de banheiros que não utilizam químicos e transformam nosso cocô e xixi em adubo, graças a uma bactéria que eles inventaram. E é impressionante mesmo, já fui em muitos festivais e raves e o banheiro sempre é muito, mas muito fedido. Quando o festival dura muitos dias fica difícil até de chegar a bons metros dos banheiros químicos devido ao mau cheiro. No Boom não fica tão ruim… É claro que em um certo ponto, em alguns banheiros, o cheiro não é dos melhores, mas não tem nem comparação com o que vemos em outras festas, e o Boom dura cerca de 8, 9 dias ao todo com cerca de 30 mil pessoas. Imagine o tanto de merda produzida!
Como o terreno que acontece o Boom é deles, facilita muito todas as mudanças, projetos e cuidados com a terra, eles plantam, cuidam, limpam… É maravilhoso!

Planejando o Boom

Eu já conhecia o Boom há alguns anos, desde que comecei a frequentar festivais de trance e sempre foi um sonho ir pra lá. Desde que comecei meus planos de vir pra Europa, ir ao Boom era o início de tudo. Os ingressos começaram a serem vendidos em Outubro do ano passado e eu comprei no mesmo dia, passei o dia atualizando a página pois o site estava com problemas devido a hackers que invadiram. Mas whatever, eu consegui comprar o meu e do Marcelo. Yay!

Como eu já fui em alguns festivais de mais duração, como o Universo Paralello, que eu já escrevi sobre aqui, a preparação pro festival foi bem mais prática. Sabendo que é um lugar quente, com um lago no meio e que eu vou sentir calor o tempo todo, como era na Bahia, já levei pouca roupa. Levei beeem pouca roupa dessa vez, mas usei ainda menos do que imaginava. Levei blusas de frio pois vimos na previsão que estaria bem frio de noite, mas acabei nem usando tudo também, pois não estava tão frio assim.
Passei praticamente todos os dias de biquíni, usei shorts nos dois primeiros dias e olhe lá. Em festival, quanto menos, melhor. Não só porque você realmente não usa, mas pra desapegar mesmo. Afinal, você vai ter que andar bastante com todas as suas coisas nas costas na chegada e ao final do festival. Mesmo levando pouco, eu ainda acho que poderia ter levado menos, é sempre assim. Em qualquer viagem.
A gente prefere focar em levar comida, pra gastar menos e comer melhor. Eu sempre fui de economizar nesse ponto, sempre levei minha bisnaguinha com atum pros cafés da manhã e algumas outras coisas pra comer durante o dia. Os únicos festivais que eu realmente cozinhei foram os últimos maiores que fui com o Marcelo, o último UP e agora o Boom. No UP usamos nosso fogareiro e no Boom fizemos alguns rangos na cozinha comunitária do festival mesmo. Era fogão à lenha, num calor do agreste, com fumaça na sua cara… Fácil não era, mas ajudava. E a gente acabava indo em horários que a cozinha não estava tão cheia e dava pra cozinhar sem esperar muito por uma boca.

Outra coisa muito útil que compramos foi o TARP, na Decathlon. É uma tenda bem prática e leve, que dá pra montar de vários jeitos. Normalmente a gente chega no festival e já vai caçar uma sombra, que muitas vezes é impossível de achar. Achávamos que no Boom não ia ser diferente, por ser no meio do deserto, mas até que tinham mais árvores do que imaginávamos. Montamos em um lugar ok, perto do lago, de banheiro e da cozinha comunitária, o TARP segurou bem o sol e calor durante o dia e a tarde, dava pra dormir até umas 10, que é raridade.

Transporte pro festival

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Pouco felizes indo

Pra ir até o festival, poderíamos ter ido de Boom Bus. Eles disponibilizaram pra quem já tinha comprado os ingressos, que comprasse o Boom Bus, que eram ônibus saindo de Lisboa ou de Madrid. A gente não pensou muito e achou que era caro, aí nem compramos. Esse transporte ida e volta totalizava 60 euros ou um pouco mais, do jeito que fomos, gastamos uns 40 e pouco cada. Economizar é sempre bom. Em Lisboa, pegamos um trem até Castelo Branco e de lá, um transfer do Boom mesmo, até o festival. Aí do festival até o camping você anda um bocado, que na chegada você mal percebe, já que é tudo descida. Foda é a volta. No sol. No deserto. Depois de 8 dias de festival.
Do jeito que fomos e voltamos foi super tranquilo, talvez no próximo eu compraria o Boom Bus pra facilitar e ser tudo mais rápido, mas desse jeito é de boa.

Gastos no Boom

Como dito anteriormente, de transporte pra ir e voltar do Boom cada um gastou cerca de 45 euros saindo de Lisboa. Com trem, metrô e o translado do próprio Boom saindo de Castelo Branco. Pra chegarmos em Portugal, viemos de avião de São Paulo, aí não tem um padrão de preço de passagem, você pode pegar uma promoção ou comprar em cima da hora, que acabou sendo nosso caso. Compramos pouco menos de um mês antes de vir, mas viemos em Junho, que acaba sendo levemente mais barato que Julho.
O ingresso do Boom foi 155 euros, eu comprei no primeiro lote, no dia que começou a vender. Depois não aumentou tanto, mas quanto mais barato, melhor.
Dentro do Boom não gastamos muito, juntos levamos uns 230 euros e cada um levou um pouco mais de dinheiro consigo pra gastar individualmente. Acabamos gastando todo nosso dinheiro juntos e ainda pegamos um bocado mais de cada. Eu chutaria que juntos gastamos uns $270 dentro do Boom, eu comprei sozinha uma saia de 35 euros, Marcelo comprou umas coisinhas a mais que eu e foi isso. Além disso, fizemos compras no mercado antes de ir, que ao todo saiu cerca de 30 euros.
O que mais gastamos foi com cerveja, que não estava barata, uma lata de Super Bock (é tipo a Skol) estava $2,50 (triiiiste converter pra real). Porque com comida não gastamos tanto assim. Um prato bom de comida lá estava custando cerca de 8 euros, então fizemos umas 4 refeições, que já vai uma grana.
No total, com ingressos, transporte, comida e gastos lá dentro gastamos juntos uns 700 euros, sem contar os meus 35 “extras” e uns 60 do Marcelo.
Eu não acho caro em euro, o foda é que o real está muito desvalorizado, então pra gente sai bem caro mesmo. E é claro, dá pra gastar bem menos se quiser. Se levar a própria comida e comer apenas isso e optar por não ficar bebendo cerveja lá dentro os gastos diminuiriam muito.

Chegamos no Boom!

Chegar no Boom, montar a barraca, olhar pro lago, pras pistas e espaços de longe e sentir que é isso, que nois tá lá, é demais. Pra quem já sonha com isso há tanto tempo, é muito bom. Assim que montamos a barraca, colocamos um biquíni e fomos dar um mergulho no lago, que estava uma delícia. Nada como poder se refrescar com água doce! E neste mesmo momento, em que estávamos no rio, nós pensamos: “Pra que tomar banho todo dia se temos esse lindo rio pra nos refrescar?” Dito e feito. Nem tomamos banho.
Ok vai, nos dois primeiros dias a gente tomou um banho no chuveiro com o sabonete orgânico que deram pra gente na entrada, mas foi isso. Depois vieram mais 6 dias só com banho de rio. E cá entre nós, foi mais que o suficiente.

IMG_4541Depois disso fomos dar uma volta no festival, as pistas ainda estavam todas fechadas, fomos andando uma por uma, percorrendo todo o festival, que é grande, viu! Quando chegamos na pista principal e demos de cara com uma estátua gigante de madeira representando a mãe natureza ficamos sem palavras. Tudo é muito lindo, bem feito, detalhado, é incrível, de verdade. Processed with VSCO with c7 preset

Nós chegamos no festival dia 21, mas só no dia seguinte que o festival realmente começava, com o ritual de abertura em um dos palcos, chamado Sacred Fire, depois o Chill Out… Mas a pista principal mesmo só abriu no dia 23 às 18 horas.
Esse ano, ao invés de só tocar DJs de trance na pista principal, a abertura da pista todos os dias era feita com bandas diferentes, bem legal. Digo abertura da pista porque ela não estava o tempo inteiro rolando, a pista funciona das 22 às 18 todos os dias, com esse break de 4 horas, pra galera ir comer, descansar e sair da loucura. Sempre que eu via que tinha break ficava triste, por eu curtir muito o dia e ele durar até às 21. Mas no final ele acabava sendo a melhor coisa, tirar um cochilo na barraca, ficar tranquilo sabendo que não está perdendo seu DJ favorito na pista rs é bão

As manhãs e tardes pelo festival era muito gostosas, mesmo com um calor de matar, tínhamos o lago pra nos refrescar e uma graminha pra deitar… Além de muita sombra pra todo lado. Outro ponto positivo do Boom, SEMPRE TINHA SOMBRA!

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Único jeito possível de dormir, cabeça pra fora da barraca e roupinha nos zóio

Como eu disse, eu sempre fui mais diurna nos festivais, mas o Marcelo é mais noturno, então a gente acaba encontrando um equilíbrio, ficando um pouco em cada hora. É claro que quando tem um DJ que queremos muito ver, a gente fica na pista não importa o horário, mas até isso é difícil às vezes, já que o dia é muito cansativo, a gente anda muito de um lado pro outro, chega de noite e queremos dormir, até porque se não dormir à noite, não dá pra dormir de dia no sol escaldante.

 

 

 

Ah, o camping! 

Um objetivo pro próximo Boom: ter um motor home. Aqui na Europa eles tem essa cultura de motor home bem mais forte que no Brasil, né. Então a maioria dos festivais, se não todos, tem uma área pros motor homes. É gigante, tem muuuuuito motor home! E os caras são profissionais, todos ficam parecidos com uma casa, que inveja. Outro nível.
O camping todo eu achei muito bom, bem sinalizado, espaçoso… Não vi nenhum lugar muito atolado de gente e barraca como eu vejo em alguns festivais grandes, achei tudo bem sob medida.

As pistas, espaços e intervenções

Andar pelo Boom é se surpreender a todo momento. Você quer ver um DJ em tal pista e até lá você passa por uma pista móvel pequena rolando à beira do lago, um cara tocando um violão freneticamente, pessoas dançando de diversas formas, outras peladas com lama pelo corpo (que posteriormente será você mesma), milhões de tipos de arte, pessoas, línguas e culturas. É realmente incrível!

É o tempo todo a galera dando esses gritos, imitando lobo… Uma energia maravilhosa, sério! E um começa, todos continuam, adoramos.

Mas vamos aos espaços que têm no festival. O primeiro e principal é o Dance Temple, a pista principal, uma estrutura gigantesca e maravilhosa com uma bela de uma sombra pra abrigar todos os dançantes durante o festival inteiro. Nela você escutará algumas bandas, como Hilight Tribe e Mulatu Astatke e muitos djs de diversas vertentes do trance.

Já tinha visto eles no UP em 2015, mas sempre me impressiono ❤ Hilight Tribe, que energia a pista fica quando vocês tocam, sério!

Noites maravilhosas com muita psicodelia kkk

Outra pista maravilhosa é o Alchemy Circle, que também rola trance, techno e vertentes mais tranquilas do eletrônico rs

O Chill Out, que estava lindo, grande e cheio de gente deitada descansando. É onde a maioria das pessoas vai tirar um cochilo durante o dia, por haver bastante sombra e uma música mais tranquila. Ou simplesmente dançar e relaxar.
O Sacred Fire é um palco que rolava diversas coisas, como shows de diversos estilos musicais do mundo inteiro, workshops e coisas do tipo. Não ficamos muito lá, mas assistimos a um show em particular com um som bem diferente e cativante, a banda se chamava Les Filles de Illighadad, ouça aqui. Lá elas tocaram versões beeeem animadas e rápidas das suas músicas, era impossível de ficar parada.

A Liminal Village era um espaço onde rolavam palestras sobre diversos assuntos o tempo inteiro. Confesso que acabei não assistindo a nenhuma delas, mas tenho certeza que deviam ser bem interessantes, estava sempre cheio por lá.
Outro grande espaço era o Being Fields, com vários mini espaços pelo festival, onde a gente encontrava as mais variadas atividades acontecendo o tempo inteiro, como capoeira, yoga, meditação, ensinamentos, danças… Muita coisa mesmo!
Tinha também o Nataraj Dance Stage, com diversos ritmos e práticas e o Young Dragons, um espaço reservado para as crianças. Inclusive, quanta criança! Elas alegravam o festival, dançando e brincando pra lá e pra cá, sempre felizes e cheias de energia. Ai, eu amo crianças.

Fora todos esses espaços principais, o Boom também contava com um museu maravilhoso com lindas telas e esculturas, muuuitas intervenções pelo festival inteiro, decorações maravilhosas, esculturas de madeira, terra batida e até brinquedos tamanho adulto ao lado da pista. Sério, era coisa que não acabava mais! Eu andei o festival inteiro, de ponta a ponta, mas tenho certeza que não devo ter visto tudo. Eles são muito detalhistas em tudo, é maravilhoso, não tem outra palavra pra descrever. Fudido!

 

A minha experiência

Como em todos os festivais, dormir e comer são duas coisas que eu não abro mão. Se eu não durmo, eu não vivo. Então prefiro, muitas vezes, perder algo legal à noite na pista e ir dormir pra acordar bem e curtir o dia todo. E olha, que dias!!! A pista do Boom de dia é simplesmente incrível. Lá é um calor do capeta, né. Mas na pista fica fresquinho o dia inteirinho, em qualquer lugar. Tem sombra pra dar a vender, é uma delícia! Som bom, galera feliz, ventinho na cara e muita perninha dançante.
O som do Boom é mais diurno, tocam DJs de noturno, mas o foco é Fullon, que eu tanto amo. Acho que ficamos quase todos os dias a tarde na pista, como tinha o break, a gente curtia bastante de dia, dormia ou descansava no final do dia e ia um pouco a noite pra pista, dava super certo!

Cardápio do Boom

Como sempre, um item que nunca, mas nunca falta nos festivais é atum. Proteína fácil de levar e comer com qualquer coisa. Dessa vez levamos dez latas e achamos até pouco. De manhã sempre comíamos bisnaguinha com atum e polenguinho + uma mistura de granola com uma ou duas frutas. Um belo gás pra começar o dia! Depois, no meio do dia, fazemos sempre uma refeição bem feita. Cozinhamos uns 3 ou 4 dias do Boom, ou macarrão com proteína de soja e molho de tomate ou arroz, feijão e atum. Foi ótimo! Inclusive, tinha um mercado no festival, muitas vezes valia a pena comprar alguma coisa lá e cozinhar na cozinha comunitária. Economia mode ON. Até porque comida não estava muito barata lá. Nós comemos na praça de alimentação alguns dias sim, mas por pura preguiça, porque poderíamos ter cozinhado todos os dias tranquilamente. Além disso, também levamos várias bolachas, salgadas e doces, amendoim, waffle, brownie… Laricas pra comer fora dos horários de refeição.

As pessoas e o festival

Vamos falar um pouco sobre a galera e a energia do Boom, comparando com a do Brasil. Desculpa, mas não tem como não fazer isso. Somos acostumados a ir em festival no Brasil e preciso admitir que é chocante a diferença aqui na Europa. Digo Europa porque eu tenho certeza que em qualquer festival daqui o sentimento vai ser o mesmo. No Brasil a cena trance anda muito popular, com o Facebook todo mundo vê como esse mundo é incrível e quer ir também. O problema é que nessa massa vem muita gente ruim e que não entende muito bem o que é o movimento. (Eu falando assim até parece a velha que vai em festival há anos, né. Só vou há menos de 3 anos, mas acho que certas coisas são fáceis de saber e entender e muita gente não o faz.)

Primeiro de tudo: NÃO TEM CADEIRAS NA PISTA! Sério, se você aí tá acostumado com os festivais cheio de cadeiras na pista e odeia isso, prepare-se pra amar aqui. É algo tão óbvio, né?! Quer sentar, sai da pista, por*a! No Brasil é bizarro, esse ano no UP eu fiquei impressionada com a quantidade de cadeiras na pista, dá vontade de sair chutando tudo. Tem gente que viaja em uma galera de 20 pessoas e cada um tem a sua própria cadeira. Sério, quando é que todos vão estar sentados? Falta muito bom senso pra galera, infelizmente. Pista é lugar pra dançar, não sentar, descansar e muito menos, dormir. Mas enfim, é isso.
Isso de não ter cadeira é algo que entra no assunto do desapego, aqui sentimos que a galera vem com muito menos coisas, tanto nas costas como no corpo, no dia a dia. A galera é desapegada com TUDO.

TAKE YOUR CLOTHES OFF!

Em alguns festivais no Brasil até encontramos algumas mulheres sem a parte de cima, um homem nu entrando no mar, na cachoeira… mas é bem raro. Aqui não é nada raro, é gente pelada pra todo canto. Eu sou bem desapegada com isso também, adoro ficar pelada, Marcelo também. Mas por sermos acostumados a não ficar assim, é difícil ficar de uma vez sem vergonha, né. No Universo Paralello, na Bahia, até tomei sol sem a parte de cima alguns dias, mas não me sentia muito a vontade, mesmo com outras pessoas se roupa perto de mim, eu me sentia observada, é foda. Mas aqui não tem isso, de verdade. Você fica completamente pelada e não sente ninguém te julgando, nem te olhando com maldade… É natural, afinal.
Eu falei pro Marcelo no primeiro dia: “No terceiro dia a gente vai estar saindo pelado da barraca e indo até o rio.” Fizemos até maior: fomos pelados pra pista. Calma, não éramos os únicos. Vamos lá… A gente tomou muitos banhos de rio pelados, acho que a maioria das pessoas que iam no rio estavam peladas, tanto homens, quanto mulheres. Jovens, crianças e idosos, era lindo de se ver essa naturalidade do nosso corpo. Não só no rio, mas no festival, muitos seios livres… Maravilhoso, liberdade!
Mas então, uma das coisas que rolava no festival durante o dia era o Mud Experience, uma “piscina” de lama onde a galera entrava, em sua maioria, pelada. Eram cerca de 30, 40 pessoas peladas no meio da lama. Depois, todos se secavam no sol ou na própria terra se esfregando no chão e muitos iam pra pista assim mesmo, pelados e cheio de lama pelo corpo todo. Quando vi isso pela primeira vez fiquei “ai meu deus, que incrível, eu quero”, mas não imaginei que realmente faria isso. Ou pelo menos que o mozão não faria também.
Quando eu dei a ideia pra ele, ele falou “é sério, sara? ai meu deus”, mas depois ele já tava falando “não acredito que estamos indo pelados pra pista” e mais tarde: “mano, que daora que fizemos isso”. ISSO É O BOOM, CARA**O! Sério, que experiência incrível, umas 20 pessoas peladas saindo correndo de um lugar e indo pra pista, entrando no meio da galera toda e dançando. Todo mundo olhava pra gente mega feliz, achando aquilo tudo incrível, eu amei fazer parte daquilo por um tempinho. E aí depois é só ir pro lago “se lavar”. MARAVILHOSO, não tenho outra palavra pra descrever.

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WhatsApp Image 2019-04-24 at 11.51.32

IMG_4652Mas é isso, eu senti que lá não tem preconceito, não tem julgamento. Tem gente de todas as cores, estilos, origens e estão todas juntas como um só. Todos felizes, sorrindo, ajudando o próximo.

No geral eu senti o festival muito, mas muito bem planejado, com todos os espaços sempre com lugar pra todos, coisas acontecendo em cada canto, tanto de dia quanto de noite, com muita cor, alegria, cultura, consciência e criatividade.

Na verdade, a única coisa que sempre tinha fila era o banheiro, talvez eles pudessem colocar mais banheiros pelo festival, mas não foi algo que me incomodou muito, sempre dava-se um jeito.
E outra coisa que rolou que me surpreendeu foi que roubaram a minha toalha haha juro, tristeza. Deixamos nossas botas da Timberland pra fora da barraca todos os dias, não trancamos a barraca nenhum dia, víamos que todos deixavam tudo jogado pra todo lado sem preocupações no camping, mas a minha toalha roubaram de mim enquanto ela secava em cima da barraca, triste. A real é que tem gente folgada ou ruim em todos os lugares do mundo, não é porque estamos na Europa que essas coisas não rolam, né. Mas é isso. Um detalhe em meio a tantas coisas maravilhosas.

E é incrível como tem gente do mundo inteiro MESMO. Você anda pelo festival e ouve muitas, mas muitas línguas diferentes sendo faladas, é gente da Austrália, Nova Zelândia, Canadá, EUA, Europa inteira, Ásia… Uma oportunidade maravilhosa de conhecer pessoas com pensamentos, culturas e ideia totalmente diferentes das suas. E você conhece gente o tempo inteiro mesmo, seja na fila gigante do banheiro, andando por aí, tomando banho, fazendo um rango… É incrível!

Mas infelizmente, ou felizmente, a gente sempre acaba ficando muito com os brasileiros. Porque pra mim, no fundo, não há nada melhor do que brasileiro com brasileiro. Ô povo maravilhoso e doido! Acho que todos os brazucas estavam concentrados em um lugar da pista, então estávamos sempre juntos, bebendo, dançando e rindo.

Falando em beber, outra coisa muito boa do Boom é que você pode levar simplesmente tudo que você quiser pro festival. Eles pedem pra não levar vidro, pra não acontecerem acidentes. E acho que a maioria das pessoas respeitam, porque eu não vi ninguém com garrafa de vidro na pista, por exemplo. Mas muita gente levou bebida e deixou na barraca, por exemplo. Ou garrafas de plástico, como Catuaba… (sim, tinha catuaba no rolê) Até bombeirinho eu bebi na pista, brasileiro é foda. A real é que não tem revista, então ninguém nunca saberá o que você está trazendo, vai da sua consciência de cuidar das suas coisas e jogar lixo no lixo.

O que me lembra de outro detalhe lindo: o lixo. Tem muitas latas de lixo, eles separam o lixo em orgânico, metal, plástico, vidro… Tudo bonitinho! Eles distribuem sacos de lixo todos os dias pelo camping pra galera cuidar do próprio lixo, é realmente bem legal. Passa um caminhão com umas 4 pessoas em cima, fantasiadas, cantando com um megafone, alertando todo mundo do próprio lixo, bem, bem legal.

Cuide de você!

O mais irado do Boom eu acho que é o fato de ter água de graça. São vários pontos espalhados pelo festival inteiro com torneiras pra você encher a sua garrafa, molhar a nuca, a canga… Eles realmente se preocupam com a gente, com a nossa hidratação durante o festival. Afinal, quando eu digo que é seco, é mesmo!
Eu tenho o pé bem cascudo e com a secura de lá, ele ficou mais cascudo ainda, só que com algumas rachaduras e bolhas. Tem que encher de creme toda noite, senão o pé não aguenta. O que não falta são pessoas com o pé enfaixado.

Foi uma evolução de bolha, buraco, rachados e corte. Mas depois que voltei, limpei e tá tudo certo. Só precisa cuidar pra não estragar os seus dias lá.

Outra coisa que tem lá e em muitos outros festivais e acho que deveria ser obrigatório em todos os festivais é a barraca de redução de danos. O que é isso? Uma das coisas que eles fazem é teste de drogas. Sim, você leva a sua droga lá, seja lá qual for e eles testam pra você. Falam qual é a pureza dela, se está muito forte, fraca, se é falsa… É bem legal. Afinal, já que você quer tomar droga, pelo menos saiba o que você está tomando e comprando por aí.

Acho que não tenho muito mais o que falar, só estando lá pra saber como é maravilhoso. Não tenho nem dúvidas quando digo que estarei lá no próximo Boom!

Agora algumas fotos e vídeos pra você apreciar essa maravilhosidade.

 

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Tchau Boom, até a próxima!

PRIMEIRO-BOOM-FESTIVAL


20 comentários sobre “Meu primeiro Boom Festival

  1. Ahh, adorei esse artigo. Ótimas dicas também. Sonho em ir ao Boom já uns 6 anos. Ia ano passado, mas minha vida virou de cabeça pra baixo. Me resta esperar ansiosamente pelo ano que vem.

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  2. E aii! Tudo certo? Caraa, que relato irado!! Estou pensando em ir ano que vem, se Deus quiser vai dar tudo certo 😀
    Já fui em 3 UP´s, ta na hora de alçar voos haha
    O camping já está incluso no valor do ingresso?

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  3. Ei Sara! Adorei o relato, gratidão por compartilhar!
    Com certeza irei ano que vem e já estou me informando sobre tudo para dar tudo certo!
    O ingresso do Boom tem valor diferenciado pra nós brasileiros? Pergunto porque o ingresso do UP tem valor reduzido para estrangeiros…
    Outra dúvida, é fácil comprar substâncias ilícitas lá?
    Obrigadaaa e até ano que vem!

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    1. Hello Fernanda, obrigada você por vir aqui!
      Cara, eu acho que isso do UP é viagem, nunca ouvi falar sobre ter preço diferenciado pra estrangeiro. E o Boom escolhe todo ano acho que de 1 a 3 países que não pagarão pra entrar no festival. Mas acho difícil ser Brasil porque o objetivo disso é levar pessoas que normalmente não iriam… enfim. Brasileiro já vai e muito! haha E sim, super fácil comprar qualquer coisa haha
      Até o Boom!!!

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  4. Muito da hora seu relato, eu e minha esposa estamos nos programando para ir ano que vem e foi muito válido ter lido a experiência de um casal, porém como vamos aproveitar a viagem para fazer um mochilão, não vamos ficar todos os dias do festival, estamos nos programando para ficar 5 dias no Boom. Você me aconselharia a pegar o começo ou o final do festival? Valeeeu!

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    1. Oi Vinicius, obrigada!! Olha, sinceramente… O final é incrível! O último dia, o encerramento… Já tá todo mundo na mesma vibe, mesma sintonia… Acho que eu escolheria pegar mais o final mesmo. E de música mesmo, acho que são uns 5 dias, então vocês não “perderiam” tanto assim… Com certeza vão amar!

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  5. Sara, em primeiro luugar, quero parabenizar pelo conteúdo.

    Vc sabe me dizer se pode-se entrar com bebidas alcoolicas? Lá vende-se gelo?

    A noite faz muito frio la ou é quente tb?

    Obrigado!

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    1. Oi Rogerio, obrigada!! A revista foi beeeeem tranquila e vi muita gente com garrafa lá dentro. Eles não proibem a entrada de nada… só pedem pra não levar vidro pra não causar acidentes mas é tranquilasso levar bebidas.
      A noite é fresquinha. Não é tao quente mas bate um ventinho meio frio… bom ter uma blusinha

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  6. Oi Sara, adorei sua matéria! Eu e o meu namorado vamos pro próximo boom e estou super animada e com muitas dúvidas sobre o festival mas voce conseguiu me deixar bem mais tranquila com essa experiência nova que vou ter… Me diz uma coisa: vocês tiveram que pagar uma taxa de bagagem por levar barraca e tudo mais? Nós disseram que era interessante comprar lá por conta da taxa

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    1. Oi Letícia! Muito obrigada!!! Pode ter certeza que vocês vão amar. Você diz no aeroporto? Então, tudo depende da bagagem que você pode levar, se você pode levar 1 volume de 23kg você tem que dar um jeito da barraca ficar dentro desse volume. Ou levar em uma mochila no bagageiro, se for possível.
      Mas uma coisa é fato: se vocês tiverem a oportunidade de comprar a barraca só aqui em Portugal, seria uma boa ideia. A Decathlon daqui é MUITO mais barata do que no Brasil e tem muitas opções espetaculares. Aí é só pensar em como levar na volta! 🙂

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  7. Entao, nos ja temos uma barraca da nautika de 5/6 pessoas e pesa 8kg, acredito que acabe valendo mais a pena guardar grana pra gastar nas lembrancinhas lá no boom do que um gasto com barraca né, pq por mais que seja 180 euros por exemplo já é uma grana no real né 😦
    Mais uma dúvida amore, e na questão de cozinhar no boom, vocês levaram todos os utensílios pra usar lá né? E quais horários vocês conseguiam ir de boa?

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    1. Sim… a gente pagou 130 em uma muuuuuito boa! Mas mesmo assim, se vocês ja tem, melhor usar ela. Não faz sentido comprar outra.
      Sim! Levamos panela etc e la usamos o fogão a lenha da cozinha comunitária, super de boa! Um calor do cão, mas de boa haha a gente foi em varios horarios, nunca tava lotadasso… ate que era de boa. Mas com certeza tentar fugir do horario de pico de almoço né 13-1

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