Pessoas também são casas

Não que isso seja novidade pra alguém, mas é tão bom quando sentimos isso gritando dentro de nós.

Passei o último final de semana com uma amiga “de infância”. Conheci na faculdade, mas ela é como se fosse de infância. Eu moro em Lisboa e ela em Dublin, nem sei porque demoramos tanto pra nos encontrarmos desde que nos mudamos pra outro continente, mas chegou o dia. Foram menos de 48h juntas, mas pareceu um mês.

Quando moramos em outro país e ficamos muito tempo longe de tudo e todos que conhecemos e que, principalmente, nos conhecem como ninguém, é difícil. É claro que eu tenho ótimas amigas e amigos aqui, mas não é a mesma coisa. Existem pessoas que conhecem nossos traumas, os grandes e pequenos eventos da nossa vida, nosso jeito, nossos gostos, simplesmente tudo. Pessoas que nem precisamos falar o que sentimos porque ela já sabe. E a gente sente falta disso, a gente sente tanta falta, que até esquecemos da sensação de estar perto dessas pessoas.

E então, eu fui ver minha amiga em Dublin. Do momento que eu saí do avião – e ela perfeita, estava me esperando no desembarque – até o momento que ela me deixou no ponto de ônibus pra ir pro aeroporto de volta, nós não paramos de falar, conversar, rir, lembrar… E é tudo tão natural. Aquela sensação de ter assunto o tempo inteiro, mas sem pressão. Se não tiver o que falar, tudo bem. Mas o caso é: sempre tem.

Aquela sensação ao perceber que se antes vocês achavam que tinham muitas coisas em comum, hoje têm mais ainda. É como se a distância nos unisse ainda mais.

Isso foi uma coisa que de fato aconteceu comigo. Desde que eu vim morar fora, senti que me aproximei de pessoas que “não imaginava” que me aproximaria. A distância nos une com quem realmente importa. É de longe que percebemos quem faz a diferença, quem ainda partilha das mesmas ideias e quem se importa com a nossa vida. Hoje em dia, eu converso mais com certas pessoas que estão a milhares de quilômetros, do que quando morava a vinte minutos de distância delas.

Eu sinto saudade de muitas pessoas, da minha casa, da minha família. Eu tenho consciência das saudades que sinto. Mas acho que só percebemos o tamanho da saudade que estávamos sentindo quando vemos a pessoa. Quando aquela calma nos inunda. A satisfação de estar com alguém que nos faz se sentir inteiros. Eu mesma sendo eu, sem medo de ser eu.

É como se eu estivesse visitando um pedacinho de casa. Se eu estava em Dublin, na Colômbia ou no Brasil, não mudaria nada, porque eu estava com ela. Mari, Mary, Mãrian, Mariana. Você que me inspirou a escrever esse texto, porque você é um pedaço de casa pra mim.

Apesar de estar cansada por ter dormido pouco, bebido muito e comido mal, eu me sinto completa.


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