Desacelerando

Vamos viajar.

Conhecer o mundo, se descobrir, sem medo.

Viajar em nós mesmos.

Vamos tirar férias, descansar, mudar a rotina, criar algo novo.

 

Às vezes eu mesma ando pelo metrô, pela rua, pelo corredor do ônibus e nem sei o que estou fazendo, só sinto uma pressa pra chegar a algum lugar. Mas eu nem tenho lugar pra chegar, eu nem deveria estar com pressa, mas estou.

Sou aquela que nunca se atrasa, que está sempre adiantada, que odeia esperar, odeia trânsito, odeia ficar em filas, odeia perder tempo.

Talvez seja por isso que eu tenha tanta pressa, eu odeio perder tempo. Odeio saber que poderia estar fazendo algo mais útil, mais deslumbrante, fascinante… Ou até algo simples, como descansar, ver um filme, brincar com meus primos, mas estou lá, no meio termo entre dois lugares – em lugar nenhum. Parada, esperando um ônibus, que vai chegar explodindo de gente, de calor, de ar sujo, de poluição. Odeio saber que estou no trânsito quando poderia estar em casa, na academia, na praça, andando na rua ou conversando com alguém.

É triste essa nossa realidade, a necessidade de ficar até tarde no trabalho só pra mostrar serviço, a sede por dinheiro e crescimento rápido ao invés de aprendizado (ok eu também quero money), mas esse medo de ficar parado, de tentar mudar de carreira, de fazer o que gosta: é isso que me assusta. Quantas pessoas não deram com a cara na parede e se reinventaram? Cadê a crise? A crise está dentro de nós. Todos os dias, nas ruas, no ar, nos olhares vazios.

O mundo está transbordando coisas novas, ideias, oportunidades. Ele está repleto de comunicação, vozes, gritos, sorrisos. Por que você ainda não saiu daí? Por que não tirar umas férias e sair dessa cidade caótica? Nem precisa ser férias, sai da sua casa no final de semana, corre pra praia, pra cidade vizinha, pra um parque. Mas sai daí. Faz uma experiência, um curso, larga o que não te faz feliz.

Não consigo imaginar uma vida inteira correndo, com pressa, sem nem olhar pros lados. Porque é isso que eu faço. Corro de casa pro trabalho, pra academia, pra faculdade e chego em casa pra dormir.

É isso que todos fazem. Correm, xingam, chegam, saem, se estressam. Nem olham pra fora da janela do ônibus, do carro, da vida.

É mesmo, ninguém nem mais olha pro olho do motorista, do cobrador, do vizinho que está te esmagando dentro do ônibus. Todo mundo só liga pro seu próprio mundo dentro da tela do celular.

Eu faço questão de dar bom dia, boa tarde e boa noite pra todos os motoristas, cobradores, atendentes e pessoas que me ajudam no dia a dia. É uma coisa tão simples, tem uns que até se surpreendem com isso, mas é uma atitude que melhora o dia de todos, dá um pouco de realidade pro dia. Tira a gente do automático.

Não vou falar que “nossa, eu nem fico no celular” porque eu fico. Mas mais em casa, no horário de almoço, onde tenha wi-fi. Evito usar 3g na rua, no ônibus. Porque sei que tô só procurando o que achar. Nem tenho o que olhar, só não quero olhar pra fora.

Quando tem mais alguém como eu no ônibus, eu acabo trocando olhares, vendo crianças que me despertam sorrisos. Eu me desequilibro porque o motorista deu uma freada e alguém me ajuda, a gente ri – a gente tem contato. A gente volta a ser humano, tira a roupinha de robô. Eu olho pra conversa no celular do vizinho e me distraio. As diferentes lojas pelas ruas, as pessoas andando, conversando, rindo, chorando, pensando, correndo. Minha mente vai a milhão, mesmo.

Eu amo olhar as pessoas e imaginar o que aconteceu com ela hoje, pra onde ela está indo, qual é a relação das duas pessoas andando juntas e conversando dentro do ônibus. Já tive ideias só de olhar pela janela, só de olhar alguém ouvindo música dentro do próprio carro e cantando alto, nem ligando pro mundo a fora.

E eu amo isso, eu amo olhar pra fora.

Mas é claro que não é só isso.

A gente que acorda, trabalha e vai dormir, não tem vida durante a semana. A gente sobrevive.

Por isso eu acho que todos deveriam fazer algo que ama, pelo menos em uma hora do dia. Yoga, natação, dançar, escrever, ler, conversar, comprar, comer,  ver um filme, alongar, observar, qualquer coisa. Isso alimenta a alma e o corpo, isso faz a gente viver.

E no final de semana você está morto, né? Quer descansar, dorme até tarde, nem sai de casa. Não faz isso. Sai! Conheça pessoas, lugares, cidades, conheça a si mesmo.

VIVA!!!

Chega segunda-feira e pode dormir cedo. Afinal, ninguém faz nada segunda-feira mesmo.

Mas sai da rotina, coloca na cabeça que o mundo é imenso, que você é imenso. Que dentro de você tem um mundo que ainda precisa ser descoberto e está só esperando parar pra acordar.

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