Nada como fazer terapia, né? Tem dias que eu acordo e penso: “Hoje acho que nem precisava, não aconteceu nada demais nos últimos dias, estou bem…” Aí a gente começa a falar e “opa!”
Para contextualizar, eu sou uma pessoa ansiosa e prática. Gosto de planejar, resolver e ter tudo preparado pro que for. Precisa comprar meia? Já comprei. Precisa furar a parede? Furei. Vou viajar daqui um mês e preciso de uma mochila? Tá na mão. Enfim…
Mas já estou na vigésima semana de gravidez e não providenciei absolutamente nada. Na verdade, algumas coisas já estão providenciadas porque vêm de doações, mas eu não estou sentindo essa urgência que eu geralmente sinto com qualquer coisa. Literalmente qualquer coisa. E a chegada de um bebê não é coisa pequena.
Eu não estava entendendo o porquê, ou nem estava pensando nisso, na verdade. Mas um dia na terapia, e com uma conversa com uma amiga, percebi que pode ser o medo da chegada do bebê.
Por mais que eu não esteja amando estar grávida e queira um pouco que “acabe logo”, estando “somente” grávida, a vida não muda tanto. Mas quando eu não estiver mais grávida… Terá um bebê no meu colo!
Conscientemente eu não me sinto ansiosa com isso, não fico pensando sobre, nem sofrendo por antecipação. Mas acho que, conforme essa mudança for tomando forma, eu vou sentir de verdade, e essa “enrolação” em providenciar tudo pode ser eu evitando um sentimento de saber que isso se tornará real.
E é bom reconhecer esse medo, deixar cada sentimento vir e falar sobre. Até porque são infinitos. Como dizia em um livrinho que estava lendo sobre essa fase: “a maternidade é o sentimento mais ambíguo que existe.” Tem horas que vamos amar e hora que vamos odiar. E tá tudo bem. Vamos amar odiando e odiar amando.
O importante é sentir e não nos culparmos. Saber que vai ser difícil, mas que também vai ser maravilhoso.
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Quando comecei a escrever esse texto, como disse lá em cima, estava na vigésima semana de gravidez, agora já estou na vigésima sétima e vim aqui completá-lo pra postar.
Continuo sem ter ido atrás de nada rs o medo continua aqui dentro, mas hoje ele já tem um pouco mais de calorzinho no coração. Outro dia fui visitar a sobrinha do meu companheiro na maternidade, e olhando pra aquele bebê recém nascido só conseguia pensar: “Meu deus, em alguns meses eu vou ter um desse sob a minha responsabilidade.”
Mas com o coração quentinho, um sentimento de “Olha que coisinha mais linda e pequena que vai estar comigo!” Medo? Também. Desespero? Um pouco. Mas quanto amor!
Realmente a maternidade é o sentimento mais ambíguo. Com a gravidez já sinto isso o tempo todo. Não amando estar grávida, com azia, gases e desconfortos, mas colocando a mão na barriga sempre que sinto ele mexer, imaginando como ele será…
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Mais uma vez não postei esse texto e agora estou na trigésima primeira semana de gravidez e volto pra completar.
Achei até engraçado vir completando aqui conforme meus sentimentos vão mudando. O medinho continua aqui dentro, mas agora com uma ansiedade de “chega logo”. Até porque com a chegada do terceiro trimestre, a sensação de estar grávida não é muito agradável.
Mas já fiz um chá de bebê, quase tudo providenciado, é isso, tudo no seu tempo.
Tempo de digerir as mudanças que vêm acontecendo. Com medo ou sem, elas vêm.