Estou grávida e estou voltando

Terça-feira, 12 de março. Acordei, mal abri os olhos e pensei: “De hoje não passa. Preciso comprar esse teste.” Minhas mãos já tremiam. Respiração acelerada. Deixei o ar sair e chorei um pouco na cama. Respirei fundo e tomei coragem. Tirei o pijama, coloquei qualquer roupa e fui pro mercado. “Só na farmácia”, disse a funcionária. Virei a esquina. “Bom dia, preciso de um teste de gravidez”, dizia eu sorrindo com os olhos vermelhos de chorar.

Corri pra casa. Já estava falando com meu namorado e minha amiga. Fiz o processo descrito no papel, o xixi mal tocou o teste e já apareceu a linha azul que indicava gravidez. Conferi cinco vezes em um segundo. Comecei a tremer, lágrimas escorrendo, digitei pra Fernanda: “Caralho. Acho que to. Pera vou ligar pro cholas puta merda”. Foi literalmente isso.

Liguei chorando sem conseguir falar direito. Ele calmamente me dizendo: “Bom, foi apenas a confirmação do que já sabíamos né.” E eu: “Não, eu não sabia.” Ele estava no trabalho, ele me acalmou, mas não conseguia parar de chorar ainda, um gigante ponto de interrogação na minha cabeça.

Liguei pra Fernanda, conversa vai, conversa vem e o desespero começou a se dissipar e veio a alegria de algo que eu sempre quis. Comecei a rir. Vou ser mãe. O que? Vou ser mãe? Estou grávida? Mas eu estou igual a todos os dias, meu corpo é o mesmo. Como assim já tem algo crescendo dentro de mim?

Já estava mais calma, mas ainda descrente. Liguei pra Cortez, amiga há quase 20 anos. Ainda falava e chorava. Mas agora, de emoção. Comecei a me sentir bem em compartilhar a notícia com quem eu amo. Todos já sabiam que não demoraria muito para receberem essa notícia. 

Fiquei pensando em como contar para a minha família, é claro que eu romantizava grandes surpresas, filmar todos… Mas eu não tenho paciência, sou muito prática e ansiosa pra fazer isso. Liguei pra minha irmã. Mais alegria. 

No dia seguinte, meus pais, mais amigas… E assim fui sendo cercada de um amor que eu sabia que existia, mas que me fez ficar ainda mais feliz de voltar pro país que pertenço, pro lugar onde está a minha família, seja ela de sangue ou não. 

Sempre foi meu sonho. E desde que conheci o Cholas, eu soube que seria com ele. Já planejávamos começarmos a tentar daqui um tempo, daqui uns anos quem sabe… Mas a vida tomou conta disso pra gente. 

É muito louco como as coisas acontecem, sei que digo isso em um cenário privilegiado, mas tudo aconteceu como tinha que ser. Já vivemos em Portugal há muitos anos, ambos cansados de estar longe do Brasil, dos amigos, do calor, já planejávamos voltar para casa no final do ano. Mas apesar de sabermos que voltaríamos em breve, essa espera estava custando. Fomos visitar o Brasil no início do ano e a volta pra Portugal foi a mais dolorida de todas. Aquela sensação de “não queria ter voltado”.

A nossa mente já não estava em Lisboa. E nosso corpo reagiu. 

Mal voltamos pra Portugal e nossos corpos já arrumaram uma razão pra adiantar essa ida ao Brasil. Aliás, essa volta.

Planos mudaram, viagens foram canceladas, ingressos de festivais e muitos móveis vendidos e aqui estamos, de volta pra nossa terra. Com a vida ainda bagunçada, tentando entender essa nova fase – que nem começou ainda – porém com muito entusiasmo para o futuro.


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